
O QUE SE ESCONDE ATRÁS DA ANTIGA PREOCUPAÇÃO
"CIENTÍFICA " DE APONTAR UMA CAUSA "BIOLÓGICA" FACE À
HOMOSSEXUALIDADE
Sônia, do Grupo Dignidade, Curitiba
Antes de tudo é
preciso lembrar que a questão da homossexualidade só é
"uma questão" dentro da cultura judaico-cristã ocidental,
que determina de forma rápida e rigorosa o comportamento dos indivíduosa
ela pertencentes desde o seu nascimento até a morte, passando por
todos os níveis de sua vida: o afetivo, o social, o do trabalho,
o sexual, a organização familiar, a hierarquia, as relações
com os outros seres humanos, enfim... decidindo e impondo o que é
certo e o que é errado, o que é proibido e o que é
permitido, com o claro objetivo de perpetuar-se, de manter indefinidamente
o controle exercido pelos porta-vozes dessa cultura. Quando as contradições
aumentam muito, são toleradas algumas mudanças nos comportamentos
desde que permaneçam sob o controle dos que ditam e fiscalizam as
normas.
"Muito da nossa
psiquiátrica intimidade cultural iludia-nos sobre a natureza da
nossa sexualidade. Existem muitas, e existiram historicamente outras incontáveis
sociedades nas quais as rígidas categorias para definir homo e heterossexuais
não eram bem determinadas. Existem trabalhos antropológicos
que examinaram a traição homoerótica de guerreiros
de culturas nativas americanas. E não se pode ignorar as quase universais
notícias de amor homossexual entre as classes altas de alguns períodos
da história grega e romana". (Darrel Rist)
Na realidade, a
questão da homossexualidade é uma falsa questão, é
uma fuga pela tangente. O que é preciso tratar, enfrentar com coragem
é a questão da sexualidade humana, tão violentamente
impedida, agredida, amputada...
Essas reflexões
acima vieram à tona devido aos trabalhos de Simon Le Vay, pesquisador
do Instituto Salk (EUA), homossexual assumido, publicados na revista Sciense
sobre as causas biológicas da homossexualidade.
É em cima
do resultado polêmico, claramente induzido pelos próprios
pré-conceitos do pesquisador, que Darrel Rist realiza sua análise
crítica. E sua crítica abrange desde o "método científico"
enganador utilizado até as conclusões filosóficas
que extrai a cerca do ser humano, profundas e principalmente claras.
Le Vay estudou 41cadáveres
de pessoas, entre homens e mulheres, das quais supostamente se pretendia
conhecer a orientação sexual. "Encontrou" nos heterossexuais
células nervosas do hipotálamo duas vezes maiores que as
encontradas nos cérebros femininos e homossexuais. Houve exceções,
que ele considerou "desvios", que se deveram, segundo ele, a problemas
técnicos. Com essa hipótese, provocou uma espécie
de retrocesso nos militantes mais afoitos de movimentos gays, que aplaudiram
a "descoberta da diferença natural" e veio reforçar, de certa
forma, uma situação já ocorrida em pesquisa do fim
do século passado na Alemanha, que considerava os homossexuais como
pertecentes ao "terceiro sexo" (mente de mulher em corpo de homem e vice-versa
no caso das mulheres).
A primeira vista
parece que se acha a solução de tudo: a sociedade precisa
aceitar e entender a "diferença biológica", é preciso
dar uma cotovelada pra lá, outra pra cá e já se abre
um lugar bem deterrminado para um novo ser - o terceiro sexo! (espécie
de hermafrodita).
Rist apontou falhas
grosseiras na pesquisa - cadáveres não falam e pouco podemos
saber os reais desejos dos supostamenteheterossexuais e homossexuais...
E se fossem vivos, numa sociedade como a nossa, ousariam ser sinceros a
respeito dos seus mais íntimos desejos?
Nesse e noutros
trabalhos, os pesquisadores estudaram restos e cérebros de homossexuais
que morreram de AIDS, doença que sabiamente ataca as células
do cérebro.
Não acho
que a estrutura do cérebro seja responsável pela nossa filiação
partidária, diz William Byne, do Columbia College de Médicos
e Cirurgiões.
Para a ciência,
já existem evidências bastante fortes de que o cérebro
é algo plástico, significa que sua estrutura e bioquímica
se transformam de acordo com estímulos internos, escreve Rist.
"Recusar as mentiras
convenientes e insistir no nosso direito de nos preencher afetivamente
- em qualquer direção que nos impulsione as nossas necessidades,
mesmo se contrárias às normas sociais - é honesto
e corajoso, um ato de expressiva liberdade.
Nestes dias em que
a brutalidade física contra os tidos como homossexuais é
epidêmica, muitos ativistas gays continuam a convencer os heterossexuais
mais sensíveis com os argumentos de "diferença natural" dos
gays, encorajando-os a aceitar a comunidade gay como uma minoria constituída
tais como judeus e negros.
Do mesmo modo que
nos foi inculcado o terror dos nossos próprios desejos, nós
estamos tentando extirpá-lo dos outros, quando nós mesmos
não conseguimos matá-los dentro de nós mesmos. Até
que homens e mulheres pelo menos aprendam a respeitar sua sexualidade plenamente,
dedicam eles pela ação ou não, a violência contra
nossas vidas apenas aumentar - e também aquela contra nossas liberdades.
