
ABORDAGEM SOCIOPSICOSSOMÁTICA DO (HOMO)
EROTISMO - A POLÍTICA ERÓTICA
Arnaldo Domiguez
O Enfoque Sociopsicossomático quando compreendido como um
orientador das práticas médica e psicoterápica, pode
ser de inestimável benefício à saúde biopsicossocial
do indivíduo que procura o auxílio destes profissionais.
Independentemente das causas específicas, mediatas ou imediatas
que funcionem como motivadoras de tal demanda.
Em se tratando de pacientes que se autodenominem pertencentes às
categorias da ninoria homoeroticamente inclinada (isto é, quando
sua orientação afetivo-sexual for básica ou preponderantemente
direcionada a outros indivíduos do seu mesmo sexo biológico),
sugerimos como abordagem esquemática, a divisão do atendimento
em três etapas complementares, que respeitem as totalidades dos mesmos.
Etapas que podem ser desenvolvidas por vários profissionais, se
o trabalho for desempenhado por uma equipe multidisciplinar ou por um único
profissional, se sua formação assegurar-lhe tal atuação.
O fato de enumerarmos as etapas, no caso destas serem acompanhadas por
um profissional único, não significa que este deverá
sujeitar-se a um roteiro pré-estabelecido. E no caso de se tratar
de uma equipe, todas as etapas podem ser "caminhadas" simultaneamente.
Desde que tenhamos em mente a visão integral (bio-psico-social),
a ordem pouco importa, pois a proposta deste enfoque objetiva um produto,
que não há de se alterar, pois trata de aspectos completamentares,
que embora possam confrontar-se num dado momento, jamais serão contraditórios.
DA SEDUÇÃO:
Poderíamos denominar esta frase de Primeira Etapa, pois corresponde
ao início do vínculo profissional-cliente, onde o valor "afetividade"
deve estar presente de modo claro e cuidadoso, para funcionar como um facilitador
transferencial.
Incluímos aqui as entrevistas preliminares, nas quais uma
anamnese genérica investigue a vida atual e pregressa do indivíduo,
com seus episódios privilegiados: 1) história familiar, figuras
parentais ou substitutas. Relacionamento com estes e com irmãos,
elementos de importância biológica (nas questões genéticas,
por exemplo), psicológicae social. 2) Educação e instrução
3) história da infância pré escolar 4) atividades produtivas
(trabalhos) 5) história da sexualidade (infantil, puberal, relacional,
etc. ) 6) hábitos, distrações, lazer, ociosidade,
motivações, etc. 7) Doenças 8) Problemática
atual. Sintomas e repercussões destes na vida 9) como entende a
homossexualidade, sexo mais seguro, etc.
Exame físico e solicitação de exame de laboratório.
Encaminhamento a especialistas, quando julguemos conveniente.
DA DESSACRALIZAÇÃO
Segunda etapa destinada a estimular a auto estima através
de um Engajamento Social positivo. Chamamo-la de dessacralização
ou desdramatização da "homossexualidade", e contamos com
o auxílio do Movimento Homossexual Brasileiro, ONG's que trabalhem
nas questões ligadas a AIDS, desenvolvendo Oficinas de Sexo Mais
Seguro, por exemplo. Debates, palestras, leitura, cinema, etc.
Isto é, estaremos estimulando à participação
na Esfera Pública, com o intuito de que a "visibilidade", como ideal
Ético, possibilite o exercício da cidadania, na luta pela
conquista do Direitoà Vida em Liberdade. A vida é o valor
ético fundamental. E a livre expressão da sexualidade é,
ao nosso ver, um dos direitos humanos mais importantes.
DA PROVA DA ANGÚSTIA
Experiência psicanalítica, propriamente dita, que consiste
em levar o analisando a atravessar com êxito a prova da angústia
de castração. Isto é, reproduzir no seio da análise
a mesma situação de perigo que, no insconsciente, provoca
a angústia. Criar a angústia, para resolvê-la. O psicanalista
visa a criar as condições para que o analisando finalmente
enfrente seu medo.
Poderíamos chamar tal atuação, de provocar as
condições propícias para que se instale a "neurose
de transferência", e a posteriori, esperar que o indivíduo
se separe duas vezes, primeiro dele mesmo e depois do analista. E a dor
destes lutos, passe a ser uma dor assimilável. Ou seja, sem sofrimento
extremo. Apenas uma serena tristeza, acompanhando o nascimento do sujeito
e após a prova, a percepção apreenderá o enigma
do ser sexuado.
Então estará pronto para "escolher" sua orientação
afetivo-sexual, sabendo que em termos do inconsciente, homossexual ou heterossexual
não significam nada. Ambos não existem. Como também
não existem o homem e a mulher.
Somente depois da experiência do luto, o ser poderá
brincar com os símbolos e as imagens que escolha para constituírem
sua "realidade psíquica". É assim gozará da vida.
