
O QUE HOMOSSEXUALISMO TEM A VER COM
OS DIREITOS HUMANOS
Adauto Belarmino Alves
No Brasil, foi encontrado um corpo sem cabeça de um político
local, Renildo José dos Santos, de Coqueiro Seco - Estado de Alagoas,
mutilado e torturado como represália à sua declaração
pública a respeito de sua homossexualidade. Antes já sofrera
um impedimento na Câmara local, e fora vítima de um seqüestro.
Na Grécia, o editor de uma revista gay e lésbica foi
condenado a conco meses de prisão por ter publicado artigo onde
questionava o porquê de tantos homens quererem corresponder-se com
lésbicas. A corte pronunciou que o artigo ofendia publicamente os
sentimentos de decência e a moral sexual.
No México, dois gays e educadores da prevenção
a AIDS foram arrastados e surrados por autoridades.
Nos Estados Unidos, uma mãe perdeu a custódia da filha
através de uma sentença da Justiça da mãe lésbica,
deveria ser definida como um ser não confiável. Naquele Estado,
pela lei estadual, é crime pessoas do mesmo sexo manterem relações
sexuais. Na Colômbia, esquadrões dda morte rotineiramente
surram e matam gays e travestis executando o que as autoridades locais
chamam grotescamente de limpeza social. Desta forma, os esquadrões
operam sem medo de perseguição e, muitos deles, são
formados por policiais.
No Irã, as autoridades reiterem publicamente que a morte é
uma pena possível para as pessoas acusadas de atos homossexuais.
Apesar de grandes passos terem sido dados internacionalmente, a situação
a nível local é diferente. Continua bastante difícil
conscientizar governos e indivíduos da necessidade de proteger os
Direitos Humanos. Com isso, muitas pessoas continuam a viver o medo de
que venham a ser, sequestradas, torturadas ou mortas pelos seus próprios
governos. Estes abusos vem sendo insistentemente combatidos pela Anistia
Internacional.
Muitas pessoas passam fome, vulnerabilidade e exploração,
fugindo de seus próprios países ou casas com medo da violência
pública ou doméstica, estupro, ou assassinato, sem nenhuma
esperança de proteção ou respeito das autoridades
apesar das obrigações governamentais de garantia dos direitos.
Muitos homens vivem om medo dos seus próprios lares, de suas próprias
famílias, apreensivos com suas vidas simplesmente porque são
gays e lésbicas.
As Nações Unidas, através da Declaração
dos Direitos Humanos o seu mais especifíco tratado sobre o assunto,
garante o respeito e a promoção no sentido de assegurar os
Direitos Humanos a todas as pessoas.
Entretanto, para uma significante parte da população
mundial este pleito jamais foi concretizado -sequer conhecido.
Os governos de vários países do mundo durante a Conferência
Mundial dos Direitos Humanos em Viena - Austria, 1993, reafirmaram a universalidade
e individualidade de todos os Direitos Humanos civis, políticos,
econômicos, sociais e culturais - através de um slogan todos
os Direitos Humanos para todas as pessoas, como um primeiro passo para
remediar a negligência histórica dos Direitos Humanos de alguns
grupos, como por exemplo, as mulheres. Entretanto, o documento final da
Conferência, A Declaração de Viena, e o Programa de
Ação não fizeram nenhuma referência à
histórica negligência dos Direitos Humanos de lésbicas,
gays e bissexuais.
Os homossexuais em muitas partes o mundo têm vivido em constante
medo da perseguição governamental, no sentido que seus atos
privados de amor e seus corajosos atos públicos sejam punidos pelas
autoridades em secretas câmaras de torturas, as clandestinas casas
seguras, que funcionam durante as madrugadas, quando ninguém vê.
Muitos vivem em estado de pavor constante e são forçados
a viver a ser o que são, entre portas fechadas, forma de escapar
da opressão.
A questão da discriminação por orientação
sexual não pode ser vista como apenas de gays e lésbicas,
ou do movimento homossexual, da mesma forma que o racismo não é,
nem pode ser, uma questão de interesse apenas de negros. É
uma questão de todas as sociedades, estados, governos e pessoas
de todo o mundo.
Mesmo porque a discriminação por orientação
sexual é comum também contra pessoas heterossexuais, que
sofrem o mesmo preconceito e discriminação quando são
tomados como homossexuais. São comuns as acusações
de homossexuais contra determinados indivíduos com o objetivo de
melindrar seu caráter.
Durante muitos anos os movimentos de lésbicas e gays não
foram considerados como questões de Direitos Humanos, ainda que
todos reconheçam a complicada situação dos indivíduos
no que se refere a orientação sexual, condição
fundamental á formação da identidade pessoal, de expressão
e convívio social.
As lutas de gays e lésbicas vem sendo um importante instrumento
de reinvidicação de Direitos Humanos e seus efeitos se deram
na luta contra a AIDS, o que mostra que as instituições devem
apoiar o movimento de grupos marginalizados, incrementando o sentido de
cidadania e auto-estima tão necessários às mudanças
de atitudes - entre elas, das pessoas se protegerem.
No Brasil, tornou-se rotinas as notícias de homossexuais assassinados,
apenas saltando aos olhos casos extremos, como o do Maníaco do Trianon,
o serial Killer de mais de 18 gays em São Paulo, a matança
de 23 travestis em outubro de 1994, no Rio de Janeiro, e o do vereador
Renildo dos Santos, de Coqueiro Seco - Estado de Alagoas. Situações
essas onde a violência toma dimensões assustadoras e que gritantemente
levam a afirmar:
A homofobia é um obstáculo a observância dos
direitos humanos.
Os direitos dos gays e lésbicas substanciam os Direitos Humanos
e a orientação sexual é uma dimensão fundamental
da identidade humana.
Em 1979, a Anistia Internacional declarou que todos aqueles que estavam
encarcerados por defenderem os direitos dos gays e lésbicas seriam
considerados prisioneiros de consciência e, em 1982, a Anistia Internacional,
condenou o tratamento médico forçado dentro das prisões,
com o propósito de alterar a orientação sexual desses
condenados. Em 1991, a Anistia Internacional expandiu seus esforços
na defesa dos prisioneiros homossexuais e documentou as violações
dos Direitos Humanos contra gays e lésbicas por todo o mundo.
Um dos principais problemas enfrentadospor gays e lésbicas
do mundo inteiro é o número de legislação que
criminallizam os atos homossexuais em seus códigos penais, como
a Romênia, Nicarágua, Chile, Equador, China e países
islâmicos.
Durante a segunda Guerra Mndial, os homossexuais foram presos e mandados
para os campos de concentração para sofrerem maus tratos,
torturas e execuções. Diferentemente dos outros presos, a
identificação dada pelos nazistas aos presos homossexuais
era uma triângulo rosa om a base invertida significando inversão
ou antinatural.
Com a vitória das forças aliadas sobre os nazistas,
os campos de concentração foram banidos e os judeus e adversários
políticos do regime anistiados, os presos homossexuais, no entanto,
foram enviados às prisões comuns.
Assim, até hoje o triângulo rosa permanece como um símbolo
gay e lésbico só que radaptado pelo movimento internacional
para traduzir sentimentos como nunca mais e nunca esquecer.
