
O AMOR ENTRE AS MULHERES
Gilda - Grupo Dignidade
As mulheres com
orientação homossexual, ao contrário do que muitos
pensam, fazem parte do nosso convívio, seja na escola, no trabalho,
nos locais de lazer. Em várias ocasiões nos encontramoscom
elas sem saber de sua orientação sexual, e sequer desconfiamos,
pois temos, algumas vezes, uma visão destorcida e um constrangimento
para abordar esta questão.
O preconceito e
o estereótipo enrustido na sociedade obrigam muitas delas a não
expressarem publicamente a sua orientação sexual. Conseqüentemente,
o relacionamento amoroso entre as mulheres passa quase que desapercebido
um espaço maior na sociedade, as lésbicassão duplamente
discriminadas, pelo fato de serem mulheres e por possuírem uma orientação
sexual ainda pouco compreendida pela sociedade.
Enquanto as mulheres
heteossexuais começam a caminhar na direção de uma
maior liberdade, no sentido de manifestar e discutir as questões
relativas à sexualidade, as lésbicas exercem e discutem a
sua sexualidade à margem da sociedade, tolhidas pela discriminação.
As informações
referentes às lésbicas são difundidas de forma preconceituosa
e pejorativa, contribuindo para um maior desconhecimento sobre o tema.
Dessa forma se pretende trazer esclarecimentos a respeito deste tema -
o amor entre as mulheres - ainda envolto em tanto mistério.
1. O Estereótipo
As referências
apresentadas a respeito das lésbicas baseadas numa opinião
elaborada sem a mínima reflexão, são as de que elas
têm aspecto masculinizado, procuram imitar o comportamento masculino
e não estão satisfeitas com sua condição e
mulher. Para muitas pessoas, a primeira imagem formada sobre as lésbicas
é a de uma caricatura, de uma representação grosseira
de uma mulher que anseia se assemelhar a um homem. Este estereótipo,
frequentemente divulgado na sociedade, dificulta a obtenção
de informações mais seguras, pois se estabelece um pré-julgamento,
considerado inquestionável, sem no entanto se tentar conhecer de
fato a realidade das mulheres lésbicas.
Existe uma diversidade
de comportamento e formas de se portar e se vestir, no qual qualquer parâmetro
para enquadrar as lésbicas pode ser duvidoso e estar distante da
realidade.
Assim como se observam
mulheres heterossexuais mais ajustadas ao modelo de feminilidade conhecido
pela sociedade, entre as lésbicas ocorre de forma idêntica.
Pode-se encontrar mulheres femininas que gostam de se relacionar com outras
mulheres igualmente femininas, como também se encontram mulheres
com características mais próximas do padrão masculino.
Logo, não se pode estabelecer modelos nos quais se encaixem as mulheres
com orientação homossexual.
2. A denominação
Segundo o escritor
Oscar Wilde, este é "o amor que não ousa dizer o seu nome".
Partindo desta expressão pode-se supor o grande receio e a apreensão
que a maioria das pessoas possui para abordar a questão homossexual
e principalmente a questão da sexualidade feminina.
As informações
falsas e alienantes, fornecidas principalmente pelos meios de comunicação,
contribuem para um maior incompreensão a respeiro, pois utilizam
apelidos nos quais se adota a suposição de que as lésbicas
não estão satisfeitas com sua condição de mulher
a vivem em constante conflito em relação à sua feminilidade.
Este estereótipo é reforçado através de apelidos
pejorativos, tais como: "sapatão", "fancha", "fanchona", entre outros,
que difundem uma visão mistificada sobre as lésbicas.
O termo "lésbica"
é normalmente usado na literatura específica, com também
nos movimentos de cosncientização e emancipação
homossexual, para designar uma mulher que manifesta amor por outra mulher.
Esta denominação é originária da ilha de Lesbos
(Grécia), na qual habitava um grupo de mulheres adoradas da deusa
Afrodite. As mulheres eram lideradas pela poetisa grega chamada Safo (625
a.C. - 580 a.C.), autora de diversos poemas que expressavam o amor entre
mulheres e de onde procede também o termo "safismo", sinônimo
de "lesbianismo".
É frequentemente
utilizado nos guetos, locais de encontro específicos, tais como
bares, boates, restaurantes, o termo "entendida" para se referir a uma
mulher lésbica.
As diversas denominações
empregadas favorecem a formação de uma imagem pré-concebida,
onde as mulheres com orientação homossexual são classificadas
como se compartilhassem de características de personalidade semelhantes
e de atitudes previsíveis. Assim, qualquer tipo de apelido por si
mesmo se torna discriminatório, pois entre as lésbicas encontram-se
mulheres das mais variadasorigens, que exercem atividades profissionais
e sociais comuns às mulheres heterossexuais.
Entende-se que a
partir do momento em que ocorra uma maior liberdade na discussão
a respeito da sexualidade, superando os tabus existentes, a questão
da orientação sexual será compreendida de forma abrangente
e serão abolidos os apelidos responsáveis pelo estereótipo
formado sobre as lésbicas, pois elas são pessoas com sentimentos
e emoções iguais às demais e possuem apenas uma orientação
sexual diferente da maioria da população, mas que não
faz delas pessoas anormais ou de comportamento social distinto das mulheres
heterossexuais.
Está sendo
utilizado, neste caso, o termo "lésbica" por ser habitual esta denominação
na literatura específica, como também entre os grupos políticos
homossexuais.
3. O Relacionamento Amoroso entre Mulheres
Presume-se que os
relacionamentos amorosos entre as mulheres são responsáveis
por grande conflito, por ligações doentías e acarretam
muita infelicidade, pois algumas pessoas têm dificuldade de aceitar
estes relacionamentos como naturais. Considere-se um rompimento ou desvio
da ordem natural das uniões amorosas mais conhecidas socialmente
( homem x mulher ). Acontece que, para as lésbicas, a formação
de um casal heterossexual violaria a sua natureza, o seu íntimo
e deste modo na infelicidade para os membros de uma família assim
constituída.
A união entre
as mulheres é a conseqüência natural da atração
e do amor que se sente para outra mulher. Manifesta-se o desejo de estar
próxima, de tocar, de acariciar, como muitos imaginam, evitar ou
inverter o foco de atração para o sexo oposto, visto que
em relação ao sexo oposto não se tem este tipo de
atuação. Assim se segue a tendência que permitirá
à lésbica a realização integral de parte significativa
de sua vida, caso contrário, ela estará sufocando os seus
sentimentos e afastando a possibilidade da realização afetiva.
Algumas lésbicas
adotam certas referências dos casais heterossexuais, ou seja, estabelecem-se
papéis sociais específicos, no sentido de comportamento e
atitudes que são, de um modo geral, mais comuns ao sexo masculino
e ao sexo feminino. Mas, na maior parte, nota-se a ausência de papéis
pré-estabelecidas comuns aos casais heterossexuais, onde o relacionamento
entre as lésbicas é distinguido pela divisão de direitos
e obrigações, no qual não reproduz os papéis
tradicionais de "marido e mulher". Observa-se, com muita freqüência,
que os heterossexuais, ao conhecerem um casal de lésbicas, tentam
identificar qual das duas mulheres exercem um papel ou outro, esquece-se,
porém, que são mulheres e que o relacionamento é caracterizado
por sentimentos e emoções inerentes a todas as mulheres.
Desperta grande
curiosidade, entre os heterossexuais e os homossexuais masculinos, a forma
na qual as lésbicas satisfazem seus desejos sexuais. Entende-se
o relacionamento sexual como algo que transcende o simples contato dos
orgãos sexuais, sente-se prazer no toque dos corpos, nas trocas
de carícias, onde se utiliza o corpo todo para expressar os sentimentos.
Parte-se, muitas
vezes, da premissa que o relacionamento amoroso entre as mulheres baseia-se
apenas em sexo, como se a lésbica estivesse sempre à procura
de compreender e compartilhar a vida da companheira, dividindo alegrias
e tristezas. De modo que se encontram uniões amorosas duradouras,
baseadas na compreensão mútua.
4. A Convivência entre as Lésbicas e as Mulheres Heterossexuais
Algumas mulheres
com orientação heterossexual sentem-se ameaçadas diante
da presença de uma lésbica, pois imaginam que estas mulheres
estão sempre dispostas a ter um relacionamento sexual e, desta forma,
procuram afastar a lésbica de sua convivência. As sanções
sociais em que as lésbicas estão submetidas são as
mais diversas e numerosas, tais como: rejeição, afastamento,
alvo de falatórios. Este tipo de condenação social
é mais frequente em centros urbanos menores e causam prejuízos,
tanto á lésbica; que pode ter uma vida social restrita apenas
aos meios homossexuais ( os chamados guetos ), quanto aos heterossexuais;
que por receio se valem da concepção, desfavorável
em nossa sociedade, na qual se discrimina a pessoa sem um prévio
conhecimento, apenas pela orientação sexual.
A lésbica
percebe que os desejos das mulheres heterossexuais diferem dos seus, muito
antes das heterossexuais notarem que estão convivendo com uma lésbica.
Deste modo, o receio em conviver socialmente com uma lésbica é
infundado, pois elas não podem e nem pretendem interferir na orientação
sexual das mulheres heterossexuais.
As lésbicas
buscam se relacionar com mulheres com sentimentos e desejos iguais aos
seus, tendo necessidade de encontrar outra mulher, com a mesma orientação
sexual, capaz de compartilhar a sua vida, desejo este que não poderia
ser satisfeito por uma mulher heterossexual. Logo, a apreensão das
heterossexuais diante de uma lésbica é, sem dúvida,
desnecessária e resultado das poucas e falsas informações
sobre este tema.
