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Contribuições a formação
de uma identidade travestista
Mariana Freire Friedrich
Há uma vasta gama de questões que
permeiam a travestualidade e não são ponderadas seriamente,
quer seja devido ao desconhecimento propriamente dito, quer seja pelo preconceito,
ou mesmo a conveniência que traz a situação hora estabelecida
no social.
QUEM SÃO OS TRAVESTIS?
A psicanalista francesa Catherine Desprats-Péquignot,
em seu livro "A Psicopatologia da Vida Cotidiana ", diz que: " O transexual
ocupa um lugar diferente da do travesti, com o qual era confundido no início
do século pelo fato de usar roupas do outro sexo. No último,
não existe requestionamento subjetivo da anatomia e da identidade
feminina ou masculina (embora certos travestis, em virtude da prostituição,
cheguem a modificações morfológicas, como os que chegavam
do Brasil nos anos 80). No plano individual, na vida cotidiana, a prática
do travestismo recobre diversos modos de organização do desejo
(fetichismo, exibicionismo, homossexualismo), todos colocando em jogo a
relação com a castração e com o falo. A questão
dos modos de acesso ao gozo encontra-se em primeiro plano aqui nessa prática
que depende da perversão sexual ou de um traço de perversão".
Do lado "Tupiniquim" o jornalista Arnaldo Jabor
em uma coletânea de textos seus intitulado "Os Canibais Estão
na Sala de Jantar" define travestis com um outro olhar: "O travesti se
identifica com uma terceira coisa, com um centauro, com um clone da mulher,
com um crime. Há um lado criminal no travesti... O travesti ameaça
as famílias... Ele é uma alegoria da transparência
do mal..." "Você não tira um travesti da vida, ele é
quem pode tirar a tua... O travesti é perigoso, você é
quem pode virar mulher dele... Ele é um casal. Se você entrar,
você é o terceiro, e pode ser excluído... O travesti
não deseja a identidade; ele quer a ambigüidade... O travesti
viaja na identidade, por isso ele se disfarça o tempo todo. Ele
é movente, por isso pode ficar nu na rua, pois ele não é
ninguém".
No livro " As perversões sexuais -- Um
estudo psicanalíco ", Antonio Carlos Pacheco e Silva Filho trazas
idéias de Stoler e Jucovy, onde o ato do travestismento encobre
a dinâmica: frente a ameaça de castração o indivíduo
finge não possuir o pênis, finge não ser homem no entanto
engano e então exerço minha masculinidade. " O travesti parece
então, de acordo com isso, acreditar na mulher fálica, tanto
a sentida como poderosa na infância, atacando sua masculinidade,
como a que representa com seu pênis(identificação)
ereto, debaixo das roupas femininas. Jucovy fala que "as roupas simbolizaria
a auto-castração e submisso aparente a feminilidade. Disfarçando
a masculinidade, os rivais ficariam desarmados, embora isso não
elimine, no travestismo, a fantasia da mulher fálica, descrita por
muitos analistas".
Cabe aqui citar novamente Desprats-Péquignot:
"a simbolização do sexo (ou seus impasses), as identificações
(e suas transformações) com base nas quais cada um reividica"
ser um homem "ou" ser uma mulher "organizam-se em torno da identificação
com o falo (significante)".
Do ponto de vista do inconsciente não há
diferenciação entre os sexos, esta se dará dentro
da relação da criança com o outro, e os significantes
do Falo que se constituem na mente infantil, a criança ao ter esta
percepção irá fazer identificações com
este. A mulher fálica se insere dentro do contexto de descoberta
da anatomia feminina e a incongruência entre a falta efetiva do falo
concreto e o possível poder representado pela figura materna. A
mulher fálica concretiza o poder materno sem a falta.
Indefenidos em um critério psico-sexual
são muitas vezes vistos como o lado marginal da homossexualidade,
cuja face travestista se apresenta nas performances de Drag-Queens; e por
outras como transexuais em "fase pré-cirúrgica", esta indefinição
se reflete neste meio fazendo com que não exista um senso de identidade
mais ou menos concreto; e inseguros de si, do que propriamente são,
encontram no isolamento da comunidade a força para se manterem coerentes
consigo frente a um outro que procura desestruturar-lhe em seu sentido
do "eu". No entanto esta situação encontra-se em
momento transitório, pois cada vez mais esta população
mostra seu rosto e coloca seu discurso em sua boca, quer seja pela via
literária com a publicação de livros como: "Princesa",
de Fernanda Farias ou "Conversa de Bonecas", de Jovana Baby, ou pela atuação
profissional como o do colunista do jornal"O Grito de Alerta", Fabiana
Brasil, pela atuação social como de Brenda Lee na direção
de sua Casa de Apoio, ou ainda o trabalho social realizado pela vereadora
Kátia no Piauí.
A ordem da menos-valia se insere moderna sobre
o feminino, anteriormente a marginalidade: nesta população
se estabelece todo e qualquer preconceito possível, pode-se imaginar
situação social menor do que um travesti negro, drogadito,
velho, aidético, pobre e prostituído? Ainda que a prostituição
seja o lado evidenciado, nem só dela sobrevive, muitas e variadas
profissões se estabelecem, no desconhecimento social por não
compactuarem na formação de um fundo a figura socio-valorizada,
como se sentir melhor se não existe pior?
Há chances a estas pessoas de reverter
este quadro? Segundo levantamento do Grupo Gay da Bahia, a população
de travestis no Brasil deve situar-se em torno de 6500 a 8000 pessoas
e o total de habitantes conta-se em milhões, é no mínimo
uma situação difícil.
Podemos dizer que o fenômeno travestista
já existe de modo mais amplo há cerca de 25 anos e o que
se fez no sentido social para compreender e assimilar esta cultura, este
"modo de estar" no mundo?A filosofia mostra o caminho do mito como viável,
é possível tenhamos que aguardar i aparecimento deste para
que a sociedade venha a poder elaborar estas questões tão
difíceis, talvez em uma vertente romântica possa-se elaborar
um símbolo mítico para representá-los como a luz,
que dual comporta-se como energia e como partícula, dois lados de
uma mesma moeda. Luz simboliza crescimento, divindade, poder e dualidade.
Sandra Lipsitz Bem (1974) mostra como indivíduos andróginos,
com alta masculinidade e alta feminilidade possuem mais recursos perante
o meio, onde o indivíduo, psicologicamente andrógino, não
precisa limitar seus comportamentos àqueles tradicionalmente considerados
apropriados para um ou outro sexo, ele estará psicologicamente livre
para engajar-se no comportamento que perceber ser o mais adequado ao momento
solicitante, sem necessitar prestar contas à estereótipos
masculinos ou femininos. Com menos pressões e repressões
o ego pode se lançar com uma maior gama de possibilidades ao meio,
assim o andrógino terá um repertório maior a se valer
do que possui apenas uma das características mais desenvolvidas.
O crescimento do ser humano, e sua flexibilidade frente ao mundo que o
cerca passa pela integração e não pelo sub-julgo de
partes de si.
No sentido de procurar desenvolver conceitos que
possam estar mostrando dinâmicas mais particulares aos travestis
o restante do trabalho se mostrará um pouco desarticulado em seu
conteúdo, mas esperançoso de que o todo seja compreendido
como uma forma de ponte a um universo desconhecido que transita por entre
as ruas, calçadas, jornais, revistas, etc....
Se enquanto discurso à respeito de questões
que tocam o meu ser procuro conseguir uma visão êmica, espero
conseguir manter uma visão ética ao falar de um outro que
não eu, olhando para esta população com olhos despidos
de preconceitos, se isto é possível, procurando aproximar
minhas lentes das lentes que olham do interior da questão.
A Gestalt possui uma lei básica da organização
da percepção que diz:
"Não é possível
distinguir um objeto como um todo mediante a soma das percepções
de suas várias partes componentes, sendo ainda necessário
considerar um conjunto de fatores que caracterizam as relações
entre todas as partes do objeto".
O conceito acima definido se por um lado diz muito,
por outro torna o grau de dificuldade elevado quando o fenômeno a
ser observado se apresenta complexo, deste modo, o traçado que aqui
irá se configurar é cindido em particularidades nas
quais espero poder configurar algum dia o todo e suas relações
com as partes.
O SENTIDO DE IDENTIDADE
O sentido de ser é um dos sentido mais
básicos do ser humano. É a partir dele que se estrutura todo
o repertório de comportamentos, as opções e crenças
de se estar no mundo, enquanto parte do mesmo. Quando situações
solicitantes extremas se impõem na vida, o ser humano procura suas
melhores saídas para a resolução da mesma, ao analisar
o processo da morte e o morrer.
.....Elisabeth Kluber-Ross descreveu determinadas fases em que o indivíduo
transita para a aceitação da finitude de sua existência.
Uma destas fases é a "barganha" onde o indivíduo enfermo
coloca-se a fazer trocas com um grande outro capaz imaginariamente de restituir-lhe
a onipotentemente uma longa vida.
.....Frente ao grande outro e a eminência do fim, todo tipo de compromisso
é possível, desde que seja este realmente possível
de realizar.
O acompanhamento de travestis doentes de AIDS
em uma Casa de Apoio, com regras bastante rígidas e restritivas
no que se refere a liberdade de trânsito, liberdade de expressão,
e outras tantas, mostrou-me que, podem ser observadas nesta população
todas as fases descritas por Kluber-Ross, no entanto, a fase da barganha
nunca se resolve no sentido do impossível, a identidade sexual se
preserva e finaliza com a vida, não constituí objeto de barganha,
e tampouco é acometido de sentimentos negativos, muitos outros aspectos
podem vir a ser barganhados, e outros ainda subjulgados, como a liberdade,
mas não o sentido de ser, pois não há troca possível
com a morte, que seja ela própria.
Outro exemplo se mostra no livro "Princesa" onde
a liberdade se cessa na penitenciária, mas com a diferenciação
de setor no presídio a autora mostra quase um orgulho pelo tratamento
diferenciado que recebe da justiça italiana por ser o que é.
A continuidade de identificação
é também possível de ser vista na preservação
do travestimento, no seu dia-a-dia um travesti continua a ser um travesti
a todo momento e em qualquer situação, não existe
uma troca de papéis sexo-social e ou de suas vestimentas, frente
a toda e qualquer situação. O travesti também não
tira férias de sê-lo.
AS VESTIMENTAS
De muitas formas podemos estudar o uso de vestimentas
pelo ser humano, esta pode desde simplesmente agasalhar até mesmo
representar poder (como no clero, nas forças armadas, etc...), em
última análise a vestimenta responde a uma demanda significante
do indivíduo que deseja. Se caminhássemos por aqui teríamos
um desenvolvimento no sentido de que para além da demanda de satisfação
da necessidade, perfila-se a demanda do algo " a mais " que é tudo
demanda de amor. De uma maneira geral, a demanda é, portanto, sempre
formulada e endereçada a outrem, em palavras de Joel Dor, e este
desenvolvimento é algo interessante, que deve trazer algumas contribuições.
De momento no entanto, aqui me basta.
Uma outra forma de verificar este fenômeno,
e que aqui utilizo é o de observá-lo enquanto objeto transacional.
Para que possamos particularizar o uso de vestimentos
no travesti, vamos inicialmente desenvolver o conceito de D. W. Winnicott
sobre o objeto transacional.
O objeto transacional se define por ser uma posse
, não qualquer posse, mas sim a posse de algo que não pertence
ao mundo externo e nem tampouco a sua realidade interna, ele ocupa
um lugar intermediário entre estas duas realidades e por nenhuma
delas é contestado. Sua origem se dá na experiência
oral onde situa-se enquanto deefesa onipotente contra a ansiedade, função
sua por excelência, o objeto transacional sempre é encontrado
nestas situações, quer seja por uma aquisição,
quer seja por sua presença compartilhada, seu acesso é sempre
fácil.
Como exemplo podemos citar a sua maior expressão,
que é o de uma criança que leva junto a si seus "paninhos,
ursinhos" e/ou outros objetos que só pertecem a ela, seu uso é
exclusivo e quase nunca possuem uma outra serventia, simplesmente existem,
e se encontram à disposição em momentos difíceis.
No adulto é facilmente vislumbrável desde o sutil brinco
em uma das orelhas, nunca retirado, até o uso em grandes quantidades
de adornos, sendo estas as formas mais visíveis de uso do objeto
transacional.
Se pensarmos primeiramente em como não
faz parte nem do mundo externo e nem do interno para depois associarmos
a toda a realização da aquisição de uma nova
roupa veremos que esta também não faz parte de nenhuma das
suas realidades, não falo aqui de qualquer roupa, refiro-me a roupa
eleita e não a necessária ( como o agasalho ganho para o
abrigo do tempo). Há sempre uma roupa que se adequaespecial a ser
usada em determinadas situações especiais. A vestimenta antes
de ser adquirida é concebida internamente para então ser
buscada e encontrada no meio exterior, nos fazendo a todos travestis de
nós mesmos.
A roupa, o estilo vivido pelo indivíduo
no seu modo de se trajar determina um patrimônio intransferível
que o identifica no tempo e no espaço que ocupa trazendo-lhe individuação
psicossocial.
E como esta teoria pode levar a uma melhor compreensão
do fenômeno da transvestualidade? O resumo da teoria acima descrito
está colocado e válido de uma maneira ampla, aplicável
a todo ser humano que tenha condições de efetuar escolha
e assim não difere do travesti que ao eleger um vestuário
leva ao real, ao concreto, seu universo interior. O modo como apresenta-se
ao meio, e quer ser reconhecidopelo mesmo é a expressão de
seu ser, assim como acontece a homens e mulheres quer sejam homossexuais
ou heterossexuais.
A QUESTÃO DO NOME
No trabalho "Totem e Tabu" de Freud encontramos
uma significativa introdução ao tema, que se segue: além
de uma vasta gama de exemplos de cultura em que os indivíduos, por
vezes, trocam seus nomes sistematicamente.
"O tabu sobre nomes parecerá menos misterioso
se tivermos em mente o fato de que os selvagens encaram o nome como uma
parte essencial da personalidade de um homem e como uma posse importante:
eles tratam as palavras, em todos os sentidos como coisas. Como já
salientei em outro trabalho (Freud 1905c, Cap. IV), nossos próprios
filhos fazem o mesmo. Nunca estão dispostos a aceitar uma semelhança
entre duas palavras como desprovidas de sentido: coerentementepresumem
que se duas coisas são chamadas por nomes de som semelhante, isto
deve implicar na existência de algum ponto profundo de concordância
entre elas. Mesmo um adulto civilizado pode ser capaz de inferir, de certas
peculiaridades de seu próprio comportamento, que não se acha
tão distante quanto poderia pensar de atribuir importância
aos nomes próprios e que seu próprio nome tornou-se, de uma
maneira muito marcante, ligado à sua personalidade. Também
a prática psicanalítica se depara com freqüentes confirmações
disto nas provas que encontra da importância dos nomes nas atividades
mentais inconscientes".
O desenvolvimento à seguir não só
baseia-se nos textos de Gérard Pommier como em alguns momentos
se transcreve-os, à medida que sejam mais clarificadores.
O nome próprio serve para nomear um único
ser humano, formado por um prenome (simples ou múltiplo) e por um
patronímico. Onde o primeiro muito freqüentemente existe antes
do indivíduo, e envoca todas as outras pessoas que também
o portaram, designando uma espécie de signo do destino, ao se buscar
um prenome substituto há um rompimento com estas expectativas, e
a busca se dá no sentido de um prenome que possa dar sustento a
algo de si, que seu significante possua maior poder fálico. A escolha
de um prenome pode ser pensado enquanto objeto transacional, como descrito
anteriormente, objetivando uma melhor e facilitada relação
com o meio.
Ao contrário de uma grande parcela da população
masculina as mulheres são geralmente designadas, e se designam apenas
pelo prenome, fazendo inserir-se em uma corte que pertence a seus semelhantes
, o patronímico não traz contribuição a identidade
feminina, como no caso do homem que tem em seu patronímico valorizado
a herança do falo paterno.
Diferentemente de mulheres e transexuais, que
efetuam mudanças em seus nomes, travesti efetuam uma reforma radical
em seus prenomes e retiram o patronímico, usualmente o transexual
não só preserva o patronímico, como se possível
faz mudanças sutis em seu prenome, e a mulher realiza uma permuta
de patronímico.
"... o nome resiste tanto á aparência
quanto à aparência ao ser vivo: sua unicidade é o sinal
daquele que fala, o traço que ele pode deixar para atestar um dizer,
e permite dispor de um referencial aparentemente seguro da identidade e
da singularidade".
A perda, ou abandono do patronímico traz
a ruptura do indivíduo com seu universo familiar e expectativas
com ao seu papel nesta... "Não se trata de uma ausência, mas
de ter tido algo legado por um pai e, depois abandoná-lo. A perda
assegura uma identidade diferente da concedida pelo patronímico".
Travestis muitas vezes se utilizam de prenomes
famosos, conhecidos, ou de mitos, o fazem de modo a homenagear aquelas
figuras... " O prenome está sob a influência da analogia,
senão da identificação imaginária, e é
nessa qualidade, na maioria das vezes, que ele é concedido e discernido."
Ainda que estejamos no campo do imaginário é assim que nos
constituimos, nos construímos e vivemos enquanto indivíduos
nomeados por outrem, seria a autonomeação diferenciada enquanto
recurso identificatório? Pode-se pensar em um poder fálico
maior? Se a determinação de um prenome por um dos pais a
criança responde este a um significante seu, a eleição
de um substitutivo traz significantes próprios do indivíduo
para consigo próprio.
Será no entanto a construção
e vivência do indivíduo modificada no que tange a identificação
sexual?
CONCLUINDO
Analisadas três dinâmicas diferentes
da prática travestista, em todas podemos encontrar bases para que
exista uma condição de personalidade estruturada em si, e
que apesar de ser indefinida de modo científico e não reconhecida
socialmente perpetua-se na essência do próprio ser. O texto
aqui apresentado pretende ser uma semente de discussão a esta problemática,
que mostra-se extensae complexa interagindo com outros grupos sociais de
muitas maneiras e em vários graus. Sendo que muito das dificuldades
se apresentam como referência à prostituição,
que por excelência não se constitui em campo restrito à
travestualidade, e mesmo nesta dinâmica de quem é o gozo?
Do travesti, do cliente ou da Sociedade (com S maiúsculo e tudo
o que representa) "maior" que pode pensar-se não prostituída,
integra em seu ser.
A psicanálise traz a figura do travesti
como sendo a concretização da fantasia da "mulher com falo",
se assim o é, que assim o seja, mulher sim, com falo sim, mas um
indivíduo que assim se constituiu e assim se apresenta à
vida, ao mundo.
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